Esse começa a ser o meu jornal diário, o meu desabafo sobre as coisas que andam acontecendo desde o momento que eu decidi mudar de cidade, de casa, de vida. Aproveitando as maravilhas da tecnologia resolvi trocar o bom e velho diário por esta versão virtual, que eu espero que seja de ajuda e passatempo para todos aqueles que se encontrem na mesma situação ou que tenham um tempo para ler. Os relatos serão feitos pouco a pouco, como se fossem capítulos de uma história que ainda não acabou, afinal de contas ainda vivo (mesmo que aos trancos e barrancos).
Então chega de conversa fiada e vamos ao que interessa:
I - A resolução de mudar de cidade.
Estava morando no RJ quando decidi mudar de cidade, ir para a Capital porque na minha área de atuação recebe-se melhor e a qualidade de vida comparada à cidade do mosquito da dengue é muito melhor. Não que eu esteja denegrindo a imagem da cidade maravilhosa, que no meu ponto de vista nenhum mosquito ou qualquer mazela seria capaz de apagar, mas estou apenas tecendo um comentário que é veiculado por todo e qualquer períodico. Tendo em vista todas as possibilidades financeiras e de qualidade de vida da minha cidade natal decidi, ainda fazendo faculdade, que deveria mudar meu domícilio, deixando para trás um monte de coisas: minha casa, minha família, meus amigos e, principalmente, minha liberdade.
Acreditava que mesmo abrindo mão de tanta coisa teria uma compensação: construir uma vida melhor, tendo ajuda dos meus familiares e amigos na Capital. Acreditava que mesmo com a distância da minha mãe, que por razões pessoais decidiu ficar no RJ, iria conseguir ultrapassar todas as dificuldades e conseguir alcançar todos os objetivos a que eu me propus alcançar.
Senti muita falta dos amigos e da família, da minha casa, das minhas coisas e, principalmente da minha família. Acreditei que todos os amigos que eu tinha conquistado nos meus ternos tempos de infância ainda continuariam os mesmos apesar do passar do tempo, verdade é que a gente custa a acreditar que as pessoas mudam e que, por uma razão ou outra, se distanciam da essência de quem eram. Esses amigos de infância a que me referi são os amigos que tinha quando morava em Brasília, cidade para a qual resolvi mudar, ou melhor, voltar depois de 10 anos morando no RJ.
A decisão foi tomada a partir do momento em que eu soube que a vida profissional e a qualidade de vida eram melhores, dados os meus maus momentos no RJ. Sinceramente, quando eu mudei pro RJ não achei que poderia construir amizades verdadeiras, mas tive a feliz mudança de tudo aquilo que eu acreditava já que construi amizades sólidas e muito além das amizades normais; sou incapaz de esquecer todas as pessoas que passaram na minha vida enquanto estive no RJ e algumas delas ainda fazem parte e são muito presentes no meu dia-a-dia, mesmo estando tão distantes.
Aprendi que nem a distância é capaz de mudar um sentimento verdadeiro, coisa tão rara hoje em dia. Me sinto feliz por ter estado na vida dessas pessoas e por ter a certeza de que eu não perderei aquelas amizades por qualquer coisa desse mundo, verdade que não posso nutrir em relação à Brasília, que me mostrou que nem tudo parece ser tão bom quanto a TV mostra.
Como disse anteriormente decidi mudar por causa do futuro profissional e da qualidade de vida, mas teve um grande motivo para que eu efetivamente mudasse: No ano de 2006 perdi um ente muito querido e que tinha grande importância na minha vida. Foi uma grande perda, uma grande decepção e para esquecer decidi colocar em prática o meu plano mirabolante de mudança, plano esse que tinha muitas metas e muitas conquistas que viriam com o tempo de estada na Capital.
Pois bem, no início de 2007 resolvi juntar os meus poucos pertences e partir para Brasília: Na mala só as possibilidades de conquistas e uma oferta de estágio. Isso mesmo, eu não tinha qualquer base que me segurasse ou qualquer segurança quando chegasse à nova cidade; não tinha aonde morar e iria ganhar pouco, sem qualquer estabilidade ou qualquer certeza de que tudo iria dar certo.
Deixava para trás amigos e família e jurava que tudo iria dar certo; num primeiro momento o meu corpo resistiu à mudança, mas tinha alguma coisa no meu íntimo que dizia que aquilo tinha sido uma decisão precipitada, não um erro, mas uma decisão tomada às pressas e que me traria muitas dificuldades. E não é que o meu íntimo tinha mesmo razão?